Escrever.
Preciso escrever. Isso tudo está me
consumindo, estou angustiada, não sei explicar, tem algo querendo sair de
dentro de mim, explodir, quero vomitar, minha cabeça gira.
Vomitar palavras,
sentidos, significados, estórias, vidas. Quero que saia logo, não tem mais espaço,
não cabe mais em mim, na minha cabeça.
Nada pode ficar guardado, não vou conseguir e afinal, a palavra tem vida e vou dar-lhe o que precisa para existir.
Sou
Atlas, o mundo em minhas costas, carregando as vidas que pesam em mim, essas palavras-pensamentos. Eu sofro.
Sim, sofro. Mas sofro menos quando digo, quando escrevo.
Eu pensei que podia
suportar. Mas não. Aí ouço quando alguém me diz: “Calma, é assim mesmo.” Como
assim mesmo?
Assim, assim, com minhas mãos vazias?
Eu quero algo, aqui. E alguém me
lembra: “Você não quis segurança, buscou o incerto e o que conseguiu? Olhe para
si mesma!”
Eu sei, busquei o incerto, eu não sabia, pensei que teria algo, que pelo caminho haveria algo, um sentido. Fiquei vazia, eu sei.
Mas o ar me encheu os pulmões novamente, o coração bate novamente e ele bombeou oxigênio e, inevitavelmente, meu cérebro recebeu esse alimento e então, aconteceu o inevitável: a força da vida apressada, que quer respirar e existir, volta e vem cobrando o tempo de espera, perdido nas curvas da vida, minha dos outros. Me lembra que tenho uma missão sem escolha.
Assim, restam-me as palavras, as que eu invento, que coloco do meu jeito. Só tenho a elas. Elas me pertencem e só pertenço a elas.
E agora há o sopro infinito do momento em que a magia acontece.
E agora há o sopro infinito do momento em que a magia acontece.
As palavras que eu falo e coloco no papel são uma multidão onde sou
alguém, onde pertenço. Hora de me reunir aos meus mundos da Terra, do fogo, do ar, do mar.
Aos meus.
Aos meus.

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